Você Sabia Que…? Um Pai Beatle

No comments

John Lennon não foi um cara revolucionário só no mundo da música, como também serviu de modelo para que pais do mundo todo se permitissem estar presentes full time na vida de
seus filhos.

Quer saber como isso aconteceu? Então, vamos voltar no tempo.

Para muitos de nós, hoje, que o rosto de John Lennon não circule incessantemente nas mídias, é normal, nada de estranho. Porém, houve uma época em que não era assim. Não mesmo. Para o mundo que vivenciou a Beatlemania, na década de 1960 – desde o começo com os quatro garotos de gravatas e cortes de cabelo padronizados até a derradeira apresentação no telhado da sede da gravadora Apple (cheios de cabeleira e barba) -, e ainda nos anos seguintes, na década de 1970, em que os quatro tomaram seus próprios rumos, o fato de ter a figura do mais rebelde beatle se distanciar do público era inusitado e dolorido para os fãs. Mesmo assim, isso não impediu Lennon de, voluntariamente, se afastar dos holofotes e, pior, sem dar satisfação a ninguém!

Foi um hiato silencioso de cinco anos, de 1975 (com o último show, em 1974, e a interrupção das gravações, no ano seguinte) até 1980, quando em 24 de setembro de 1980, John Lennon saiu do seu apartamento na rua Dakota, em Nova York, e fez uma viagem de avião de um pouco mais de uma hora até a cidade de Buffalo para dar uma entrevista para Lisa Robinson (famosa por ter entrevistado vários astros do rock), marcando a sua volta ao público e uma nova fase em sua vida. Os ouvintes da 97FM de Buffalo se surpreenderam ao saber que um dos seus maiores ídolos do rock passou esses anos todos como… dono-de- casa!

Sim, entre tantas outras coisas, Lennon foi vanguarda também fora da música, ele praticamente consolidou o termo home husband  ao se dedicar exclusivamente ao filho, Sean, e à casa, enquanto Yoko cuidava dos negócios milionários ligados a seu nome. Se atualmente ainda muito se discute sobre a figura paterna e sua presença não apenas como alguém que “põe a comida na mesa”, décadas atrás John abdicou do palco, das drogas e do sucesso para se dedicar à sua companheira e ao crescimento do seu caçula, quando ninguém mais fazia isso, muito menos um rockstar.

Em boa parte dessa entrevista John quis contar, inevitavelmente, sobre essa experiência: as delícias de aprender a cozinhar, como ele acompanhava o desenvolvimento de Sean e as alegrias ao seu lado, as férias nas Bermudas. Aliás, fora durante a estada em uma das ilhas, ao lado do filho, em um verão, que ele recomeçara a compôr canções, todas inspiradas na fase que vivia. Dali nasceria seu último álbum, Double Fantasy. As letras falam da fase em que ele preferiu “observar as sombras na parede” ao invés de estar no showbusiness (“Watching The Wheels”) e outras da sua adoração pelo filho (“Beautiful Boy”) e por Yoko (“Woman, Oh Yoko”). Durante o mês de setembro, o álbum estava sendo mixado em Nova Iorque, na Record Plant, e o rebuliço pela volta de Lennon estava à toda na imprensa.

O ex-beatle parecia também estar em pleno vapor pois, ainda no mesmo ano, já estava gravando um novo álbum, Milk and Honey.  Mark Chapman, fã alucinado dos Beatles, no entanto, não estava contente com esse retorno. Considerava John Lennon um traidor desde o fim dos Fab Four e terminaria com a vida dele, em 8 de dezembro daquele ano, 1980, bem na frente da sua casa, enquanto o pequeno Sean, o tão amado filho, inocentemente, dormia.

John Lennon, além de inúmeras canções inesquecíveis, deixou um exemplo de como podemos pensar a família.

Até a próxima!

mbressan06Você Sabia Que…? Um Pai Beatle

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

5 × 2 =