Você Sabia Que …?

 – Quer que eu desenhe?

Você já ouviu esta pergunta na boca de alguém que quis provocar o amigo que ainda não compreendeu a conversa. Mas o que os brincalhões de plantão não sabem, é que, de fato, o desenho é uma das melhores formas de compreensão e conhecimento que existem. Podemos até afirmar que a humanidade não evoluiria da forma que evoluiu se não houvesse o ato de  desenhar. Exagero? Então, vamos para a segunda parte sobre o Desenho Infantil! 

 

Anteriormente, na primeira parte da matéria sobre Desenho Infantil, falamos sobre os primeiríssimos estágios do desenho, que envolvem principalmente a sensorialidade e os gestos dos bebês. Agora falaremos sobre o caminho até a entrada do aspecto simbólico nas grafias.

Depois de um tempo produzindo garatujas (os “rabiscos”), os traços vão mudando, ganhando novas direções e não mais apenas traços aleatórios –  a intencionalidade evoluiu, está mais  dirigida. Aos poucos, a criança quer fechar o traço e realizar um círculo, ainda que bem rudimentar. Nesta fase, ao ser indagado pelo adulto : “o que é isto?“,  a criança arrisca nomear o que desenhou – que para nós, adultos, ainda está distante de representar algo. Segundo um dos grandes estudiosos sobre desenho infantil, G.H. Luquet , essas nova etapa começa por volta dos 2 anos. E será a partir dos 3 ou 4 anos que passará a representar intencionalmente algo através do desenho.

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Começa então um grande e interminável desafio: “como representar graficamente o mundo à minha volta?“. Essa não é uma pergunta apenas das crianças, mas uma das perguntas fundamentais de nossa história. Por conta dessa questão artistas, historiadores, engenheiros, cineastas, arquitetos, designers e muitos outros tem se debruçado sem chegar a uma conclusão final. Inevitável que os pequenos passem por muitas dúvidas e experimentações mesmo! A busca deles é intensa , pois o desenho é uma forma de elaborarem o que eles veem, o que aprenderam, o que sentem. Desenho é uma forma de pensar e, ao mesmo tempo, uma forma de expressar um conhecimento. Ela aprende mais de si mesmo e de seu mundo.

A partir disso, chegamos a outro impasse: como passar da realidade interna à realidade externa? Ou seja, como reproduzir graficamente os meus pensamentos, nas minhas emoções ou aquilo que se passa diante os meus olhos?

Tais questões podem soar tão difíceis e profundas que, talvez, por isso vejamos tantos adultos afirmarem “não sei desenhar”, ao passo que toda criança desenha. O que aconteceu com a criança que desenhava toda hora para, mais tarde, se tornar um adulto “que não sabe desenhar”? Podemos levantar diversas hipóteses, mas por hoje tentaremos sintetizar numa resposta: como num círculo vicioso, adultos (em sua maioria) desencorajados durante a infância desencorajam as crianças a desenhar e os seus desenhos, e estas por sua vez (em sua maioria) crescem e desencorajam outras crianças.

E da onde surge tanta frustração e desencorajamento com o desenho? Das escolas, em geral, muitos responderão, mas não só: vivemos numa cultura que privilegia fortemente apenas algumas (para não dizer uma) formas de representação da realidade. Temos a crença – sem perceber muitas vezes – que há uma (ou algumas) exclusiva forma de representar a realidade , e se não souber reproduzi-la, logo “não sei desenhar”.

Mas será que há apenas uma maneira de representarmos a realidade?

Não seria a história da arte, por exemplo, a explicitação que as maneiras de se enxergar e reproduzir a realidade  (interna e externa) são infinitas e a prova da enorme capacidade criativa do ser humano?

Bom, mas aí é papo para outro dia! Até a próxima!

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obs: para quem quiser ler mais sobre desenho infantil, aí vão alguns autores importantes: Luquet, Lowenfeld, Piaget e Edith Derdyk.

 

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