Vem brincar com a gente!

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O nascimento e o desenvolvimento do universo são o jogo de uma criança que move suas peças num tabuleiro. O destino está nas mãos de uma criança que brinca.

Heráclito

 

O que é a Semana Mundial do Brincar?

A Semana Mundial do Brincar (SMB), iniciativa da Aliança pela Infância, é uma semana com o objetivo de ressaltar a importância do brincar na sociedade – e mais especificamente, no desenvolvimento dos bebês, crianças e adolescentes. A Semana acontece anualmente desde 2009, recebendo desde então apoio de parcerias públicas e privadas nos mais diversos espaços: escolas, museus, ruas, praças, parques, etc. Como dizem os organizadores: “Onde existe espaço para crianças, adultos e brincadeiras é um possível lugar para a SMB.” A programação desse ano, por exemplo, está espalhada por todo o Brasil e, aqui em São Paulo, está repleta de atividades para todas as idades e gostos. (Você pode acessar mais da programação aqui: https://aliancapelainfancia.org.br/programe-se-agenda-geral-da-semana-mundial-do-brincar-2018/, ou acompanhar pelo perfil da Aliança no FB: https://www.facebook.com/aliancapelainfancia).

Nesse ano a casa oficial do Cadê Bebê ficou de fora da programação oficial da SMB. Mas não fique triste! Estaremos junto a outras instituições promovendo o brincar! Do dia 19 até 27 de maio, nossa querida equipe de brincadês estará no recém-reformado SESC Paulista, fazendo a mediação no lindo espaço de brincar que o SESC e o Erê Lab instalaram lá. Ainda no SESC, mas na unidade Interlagos, no dia 26 de maio faremos uma oficina de movimento livre para bebês e estaremos fazendo a mediação do espaço de brincar de lá também. Mediada por Carmen Orofino, pesquisadora do desenvolvimento infantil, a oficina é inspirada nos princípios da Abordagem Pikler buscando sensibilizar o olhar do adulto para o desenvolvimento de cada bebê, valorizando cada detalhe do seu movimento. Em um espaço de encontro e acolhimento, cuidadosamente preparado para eles, os bebês envolvem-se em suas pesquisas e descobertas ampliando suas conquistas motoras, acompanhados de perto pelos adultos que observam e refletem juntos. Acesse https://www.sescsp.org.br/programacao/ para saber mais sobre nossas atividades e muitas outras que acontecerão exclusivamente essa semana.

E, para completar, teremos um espaço de brincar exclusivo na feira infantil Baby Bum, de 24 a 26 de maio, das às 20h – e quem for para lá brincar com a gente ganha um presente especial! Teremos um leque de atividades lúdicas e artísticas em um espaço interativo e sensorial especialmente projetado para a feira, que incentiva a criatividade, a exploração, o desenvolvimento e a conquista de autonomia dos pequenos. Conheça mais da feira em: https://www.babybum.com.br/evento1/ .

Ficou curioso para saber mais sobre a SMB ou da Aliança? Dá uma olhada no site deles: https://aliancapelainfancia.org.br/semana-mundial-do-brincar/ e apenas: https://aliancapelainfancia.org.br . Lá você encontra, além da programação, textos sobre infância, inspirações e experiências que você pode tentar em casa com seus pequenos, dicas para pensar o desenvolvimento das crianças, e mais!

 

Por que defendemos o brincar, e mais, o brincar livre? 

Aqui na nossa casa estamos diariamente ressaltando a importância do brincar e buscando entender o alcance do brincar livre no desenvolvimento infantil. Então, queríamos compartilhar um pouco com vocês o que pensamos do assunto.

Embora seja comum associar o momento da brincadeira ao tempo livre, ocioso, em oposição aos momentos em que estamos “ocupados” – trabalhando, estudando, ou qualquer outra tarefa considerada “útil”, como cozinhar, limpar, etc. –, cada vez mais, através de pesquisas empíricas e estudos teóricos, educadores e demais profissionais relacionados à infância têm afirmado: são muitas as possibilidades e contribuições do brincar no desenvolvimento cognitivo, afetivo e motor dos nossos pequenos. Brincar é aprender, brincar é crescer, brincar é ser por completo. Por exemplo, Winnicott, famoso pediatra e psicanalista, já dizia em 1975 que “é no brincar, e talvez apenas no brincar, que a criança ou o adulto fruem sua liberdade de criação”.

Em seu livro, O brincar e a realidade¸Winnicott estava interessado em, além de formular teoricamente o que seria o brincar, no alcance terapêutico que as atividades desse tipo podem ter na relação paciente-terapeuta. Nesse sentido, considerando como verdadeiro o alcance que a brincadeira tem na terapia, podemos deduzir a grande potência escondida atrás do véu inocente com que cobrimos a brincadeira. Freud, no começo do século passado, analisando um jogo muito parecido ao nosso “Cadê? Achou!”, afirmou que a mãe, ao realizá-lo, permite que seu bebê experimente o “anseio [da separação] desacompanhado de desespero”: ou, trocando em miúdos, permite, através da brincadeira, que os nenês experimentem com risadas a separação que depois se efetuará de fato (por separação podemos pensar até na simples mas complicada ida ao banheiro).

A brincadeira instaura um tempo e um espaço próprios, em que tanto a criança como o adulto podem se mover despreocupados das consequências no mundo “real”. É por ela que a criança será capaz de explorar os limites do que pode ou não pode fazer, do que consegue, do que quer fazer, e mais, das consequências que isso terá: por ela aprende que após a separação haverá o reencontro – ainda, aprende que o reencontro é acompanhado da alegria, do riso.

Agora, por que valorizar o caráter livre das brincadeiras? Novamente, como já foi observado em escolas e outras instituições que abrigam crianças, toda atividade que é desejada e executada ativamente pelas pessoas (não são só as crianças que se beneficiam da liberdade!), tem consequências imediatas e a longo prazo muito mais enriquecedoras, em comparação com as atividades que são impostas e suportadas a contragosto. Permitir que as crianças brinquem e se movimentem livremente (é claro que o olhar e o contorno do adulto são imprescindíveis para que isso se dê de forma segura – mas isso é tópico para outro texto) é essencial na educação das crianças: ao fazerem isso, seu desenvolvimento motor será mais harmonioso, respeitando as necessidades de cada etapa; também irá favorecer que experimentem situações novas por conta própria, e mais, desenvolvam sua capacidade pensar e solucionar criativamente essas situações – a exploração, ou a curiosidade, são características inerentes nossas, e sem as quais a sociedade não teria chegado onde está.

Já passamos do tempo em que se acreditava que a criança é uma “tábula rasa”, não sabe e não entende nada, e aos adultos se reserva o direito de inscrever nessa tábula o que é necessário para a compreensão e atuação no mundo. Ao valorizar a autonomia das crianças estamos propondo que nós, adultos, não façamos pelas crianças o que cabe a elas mesmas fazer, como a formação da percepção, da memória, da fala e do pensamento. Cabe aos adultos, é claro, acompanhar, orientar e estimular sempre, mas está fora de nossa alçada dizer pela criança, tentar escrever por ela uma história que é dela e que a ela cabe criar.

Caio AndreucciVem brincar com a gente!

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