O andador não faz um andador

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Em alguns momentos,  nós mães, ficamos ansiosas para ver o próximo passo de nossos filhos, já que o peso da comparação com outros bebês mais “evoluídos” nos leva a duvidar ou questionar a “evolução” do nosso.

Isso é especialmente verdadeiro quando estamos falando da conquista da marcha, já que a idade de cada bebê para alcançar esta etapa do desenvolvimento pode variar muito.
Sem saber exatamente como agir, tomadas pela ansiedade de responder as nossas próprias expectativas e dúvidas, optamos com a melhor das intenções, por soluções não indicadas aos nossos bebês, como por exemplo, o andador.

Há algum tempo muitos profissionais da área da saúde já estavam contraindicando o andador.
No Canadá o andador já foi proibido desde 2007. No Brasil ainda é possível comprar o andador em muitas lojas de brinquedo ou magazines.

No entanto, algumas medidas estão começando a ser tomadas: em 2013 uma liminar de justiça no Rio Grande do Sul determinou a proibição da comercialização de andadores infantis em todo o país, pois nenhuma das marcas comercializadas estava dentro das normas do Inmetro. Mas a ação foi em primeira instância e ainda pode ser recorrida pelos fabricantes.
No início deste ano ele também foi finalmente contraindicado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, depois que duas crianças faleceram, uma em 2009, no Rio Grande do Sul, e outra na Bahia, que em janeiro deste ano caiu da escada com cerca de dez degraus, teve uma fratura cervical e não conseguiu chegar até o hospital. Estes fatos são terríveis, mas reais: o andador é responsável por 80% das lesões provenientes de quedas de escada ou tropeços.

Sem dúvida este produto deveria ser proibido pelo Inmetro, uma vez que está comprovada a quantidade de acidentes que pode provocar.

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Ele foi um acessório muito utilizado por nossas mães e avós, porque de um lado permitia que o bebê ficasse “preso” enquanto elas podiam realizar outras tarefas, e também porque acreditava-se que o bebê aprendia a andar mais “rápido”.

Mas hoje sabemos que na verdade, é justamente o contrário: com o andador, o bebê leva mais tempo para ficar de pé e caminhar sozinho, porque o seu quadril fica apoiado, e isso não permite que ele fortaleça a musculatura necessária para ficar de pé. Além disso, ficar no andador diminui o tempo da criança no chão, que leva a descoberta de outros meios de locomoção, como o rolamento e o engatinhar.  O andador faz com que a criança se acostume com a posição vertical, fazendo normalmente com que não queira mais ficar na horizontal.

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Ou seja, além do andador ser perigoso e responsável por quedas e acidentes graves, não oferece benefício nenhum ao bebê.

“Andadores são usados na melhor das intenções em quem ainda não está com seu desenvolvimento neuropsicomotor habilitado para andar. Quando a criança estiver pronta, vai fazê-lo naturalmente” (Eduardo da Silva Vaz, presidente da SBP).

Concordamos 100%: quando os bebês estiverem preparados, após vivenciarem bastante todas as posições anteriores ao andar, como o rolar, rastejar e engatinhar; e estiverem seguros para conquistar novas posições, eles vão andar naturalmente sozinhos, sem a necessidade de aparelho nenhum.

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Com meus filhos, eu nunca dei o andador porque enquanto fisioterapeuta sabia dos riscos e da contra-indicação do ponto de vista motor.

E para assegurar as mamães ansiosas, vale lembrar que a conquista da marcha é considerada normal até os 18 meses! Mas se a sua ansiedade ou suas dúvidas são grandes demais, o melhor a fazer é procurar um pediatra ou um fisioterapeuta, profissionais nos quais você confie, para te assegurarem sobre o desenvolvimento do seu filho.

Vamos arranjar soluções melhores para nossos bebês se desenvolverem, com muito chão, amor e brincadeiras.

Com carinho,

maya

mbressan06O andador não faz um andador

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