Educação Aberta – A Escola da Ponte

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Estar aberto ao novo é essencial para o conhecimento. Estar aberto à dialogar é o fundamento para uma construção sólida.  Estar aberto aos próprios erros e dos outros é o caminho para relacionamentos mais autênticos e significativos. Estar aberto. De portas abertas para o mundo. Essa é uma postura que o Cadê busca em todos os seus âmbitos.

Por isso, a pesquisa e o estudo fazem parte fundamental do nosso projeto. Pois entendemos que conhecer é estar aberto à novos conhecimentos, à novas trocas e novas perspectivas. Assim, temos pesquisado sobre pedagogias alternativas e inovadoras para a construção permanente de nosso projeto.

A colaboradora de hoje, Naia Rozzino, nos traz um texto sobre a própria experiência escolar e a Escola Da Ponte, uma escola portuguesa liderada por José Pacheco, e o seu contexto em relação aos modelos de educação tradicionais.

Até hoje, mesmo anos depois de ter saído da escola, eu ainda acordo de pesadelos em que estou atrasada para chegar em uma prova e que não estudei o suficiente.Todos nós temos algum trauma ou lembrança ruim desse tempo escolar, seja um professor chato, uma entrega de trabalho atrasada ou uma reprovação.

Esse modelo de educação dominante no mundo atual (ou seja, a educação que a maioria de nós passou) provém de uma linha tradicional de ensino que teve origem lá no Iluminismo do século XVIII. O objetivo principal desse ensino era universalizar o acesso ao conhecimento, e para isso acreditava-se que a formação de um indivíduo crítico e criativo depende unicamente da quantidade de conhecimento adquirido por ele.

É por isso nos lembramos de ficar horas a fio sentados em uma cadeira, assistindo aulas que são pouco práticas e muito teóricas, com exercícios sistemáticos de memorização. O professor, como detentor do conhecimento, sempre teve o papel de autoridade no processo educativo, mantendo um distanciamento que resulta na passividade do aluno. Os métodos de avaliação – as provas que jamais esqueceremos – são periódicos e servem para medir a quantidade de informação que o aluno foi capaz de absorver.

Por muito tempo, esse modelo tradicional de ensino foi considerado a única opção de educação. Mas começou a ser visto como ultrapassado por alguns visionários a partir da década de 70, e desde então surgiram cada vez mais iniciativas que buscam modelos alternativos e inovadores, baseadas em novas formas de aprender e ensinar.

A Escola da Ponte é considerada uma das pioneiras dentre essas iniciativas que questionam o modelo tradicional. Localizada em Vila das Aves, Portugal, próxima a Porto, é uma instituição pública de ensino idealizada e dirigida pelo educador José Pacheco (aquele senhor simpático e vesguinho da foto acima), que existe desde 1976. Para Pacheco, é contraditória a vontade de construir uma sociedade de indivíduos personalizados, participantes e democráticos enquanto a escolaridade é concebida como um mero adestramento cognitivo.

Na Escola da Ponte não há salas de aula, séries ou testes. Os alunos de todas as idades se agrupam de acordo com os interesses comuns e afetivos para desenvolver projetos de pesquisa ou realizam estudos individuais, que depois são compartilhados com os colegas. Os educadores se responsabilizam por orientar as pesquisas, que são feitas em livros e na internet, e a função de instruir do professor parte das dúvidas dos alunos.

Semanalmente, todos se reúnem em uma assembleia onde discutem os problemas da escola, trabalhando para conquistarem sua autonomia, compreendendo o porquê e o para quê estudar. Há vários instrumentos de avaliação, inclusive a auto avaliação, mas nenhum deles se assemelha aos instrumentos de escolas tradicionais. “Porque educar é mais do que preparar para exames, é ajudar as crianças a entenderem o mundo e realizarem-se como pessoas, além do tempo da escolarização”, diz Pacheco.

O projeto educativo, que tem como pedagogia o “Fazer a Ponte”, visa a formação de pessoas autônomas, responsáveis, solidárias, mais cultas e democraticamente comprometidas na construção de um destino coletivo e de um projeto de sociedade que potencialize as qualidades de cada ser humano. Para isso, a Escola da Ponte integra todos os envolvidos da comunidade escolar na sua construção – o indivíduo se faz no coletivo e o coletivo se alimenta da singularidade de cada um.

José Pacheco foi um dos primeiros educadores a demonstrar que o aluno pode e deve ser um elemento ativo na descoberta do conhecimento, demonstrando sua potência e autonomia.  A Escola da Ponte serviu como exemplo para muitas outras iniciativas, inclusive no Brasil, que também acreditam que o modelo tradicional de ensino centrado no professor não é a única opção para a aprendizagem. Enfim está surgindo uma nova geração de pessoas que não será mais traumatizada ou terá más recordações do período escolar, que é tão marcante para nós.”  

Fontes:

mbressan06Educação Aberta – A Escola da Ponte

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