Conhecendo a Antroposofia com a Dra. Natália Zekhry

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O que é a antroposofia?

É uma filosofia introduzida no início do século 20 pelo austríaco Rudolf Steiner, que busca ter uma visão mais global do indivíduo. Isso significa que os profissionais que atuam baseados nesta filosofia, buscam olhar para além dos aspectos físicos do paciente: eles consideram também as emoções, a ligação com o Universo e a forma como essa pessoa conduz a sua vida e a sua vitalidade. Resumindo, são profissionais que olham para a disposição do sujeito, que pode estar prejudicada se todos estes fatores não estiverem em harmonia, abrindo espaço para o surgimento de doenças.

Conversando com a Dra. Natália Zekhry, ginecologista-obstetra que baseia sua atuação na antroposofia, descobri algumas peculiaridades e particularidades da medicina antroposófica, principalmente no que diz respeito ao atendimento e ao olhar para os pacientes.

Ficamos muito felizes quando ela nos concedeu a possibilidade de divulgar em nosso blog a sua entrevista, publicada na revista da Célula Mater* (clínica de referência em saúde da mulher onde atua), na qual responde a perguntas sobre si-mesma, sobre sua atuação e sobre a medicina antroposófica.

Reproduzimos aqui no post uma versão resumida da entrevista.
Boa leitura!

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Algumas diferenças entre a consulta e o tratamento de um médico antroposófico e a de um médico convencional:

“Como qualquer outro profissional, um médico antroposófico realiza uma análise clínica do indivíduo, do seu histórico de saúde, e dos seus exames de laboratório e imagem. Mas os antroposóficos fazem ainda uma avaliação completa da vida da pessoa, levando em consideração detalhes do seu cotidiano, como a alimentação, o sono e a prática de atividades físicas, além do seu estado emocional. Em alguns casos, conversamos até mesmo com membros da sua família para compreender melhor os fatores que podem estar envolvidos nesse quadro. essa investigação aprofundada pode nos levar a algum detalhe importante que esteja fazendo toda a diferença no diagnóstico.

Mesclamos itens da medicina tradicional como remédios alopáticos e as cirurgias, com medicamentos homeopáticos e fitoterápicos. Podemos sugerir alterações no estilo de vida da pessoa, ou ainda indicar itens como banhos e massagens”.

E na gestação?

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“Para os profissionais que seguem essa filosofia, o pré-natal vai além dos exames para checar a saúde da mãe e a do feto. Não se trata apenas de saber se a pressão da gestante está normal, se ela engordou 10 quilos, se o bico do seio está bom para amamentar, mas também para ajudar a mulher a entender o novo universo que se abre para ela e que cada membro da família tem um papel essencial nessa fase. Durante as consultas, procuro abrir um espaço para que ela encare seus medos e fortaleça a sua intuição, que faz com que uma mãe saiba se pode combater a febre do seu filho com um antitérmico em casa ou se deve correr para o pronto-socorro, ou outros aprendizados que irão ampará-la não só durante a gestação e o parto, mas também depois.

Também gosto de trazer à tona a figura do pai parceiro. O que o pai pode assumir nessa relação? Quando o pai pode fazer muito pouco, gosto de estabelecer quase como um compromisso a priori, que cria uma possibilidade de participação, que pode se ampliar ou não.”

E no parto?

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“Há uma militância que acusa a medicina ocidental acadêmica de roubar o parto da mulher, de não olhar para a mulher no momento que o bebê nasce. Eu acredito que realmente existem ambientes que não são cuidadosos e que precisam de uma reformulação e de um repensar sobre o nascimento. Mas acho que esse movimento peca no seu radicalismo por fazer com que o parto seja mais importante que o próprio bebê.

Isso acaba criando a percepção de que uma mulher é mais ou menos mulher porque deu à luz por parto natural, ou sem anestesia, ou outras coisas que são mentalmente definidas e que até atrapalham a vivência no corpo.

Muitas vezes o trabalho de parto é maravilhoso, mas ele acaba numa cesárea porque era o mais seguro para ambos. Só que a paciente fica frustrada porque tem na cabeça que o parto normal é o que tem que acontecer. E aí não vive as sutilezas que podem emergir desse trabalho de parto e que constroem a mãe que está surgindo nesse momento”.

Além desta viagem enriquecedora pela medicina antroposófica, Natália Zekhry finaliza a sua contribuição com uma sugestão de leituras interessantes para as mamães gestantes, porém lembrando que ler e querer saber demais também pode atrapalhar: “mais do que a leitura, você precisa de entrega”.

Segue a lista de “leitura sem excessos”:

– Quando o corpo consente – Therese Bertherat
– Parto Ativo, Janet Balaskas
– Gestação Natural, Janet Balaskas
– A Cientificação do Amor, de Michel Odent

Mais uma vez, agradecemos à participação da Dra. Natália, cuja dedicação e trabalho  nos traz uma concepção interessante e sensível sobre a mulher, seus ciclos e suas vivências.

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Com estas considerações, podemos nos perguntar sobre a nossa própria experiência com o nosso corpo, e como desejamos viver isso na gestação, no parto, ou simplesmente no dia a dia.

Compartilhe conosco suas impressões e opiniões!

Com carinho,

marganne

* FONTES: Revista Célula Mater Press – edição n°07-2014

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