Criar

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Vamos pegar um giz e desenhar?
Seguro, mordo, bato, jogo.
Nossa! Aconteceu um risco, um traço no papel, no chão, na mesa!
Ah, mas agora eu já sei: posso deixar uma marca em qualquer lugar. Mesmo assim, gosto de morder, cheirar, jogar… será que quebra? Será que volta pra mim?
Oba, um giz! Tem muitas cores! Como será que é no papel, na minha roupa, no chão?
Vou pintar toda essa folha. Mil riscos. Arrisco.
Um traço… é um avião, um cachorro, o carro do papai.
Olha o que eu consigo fazer… uma bola!
Vou desenhar. Um castelo, uma princesa, minha casa, meu irmão.
Um dinossauro, um vulcão.
O que eu vejo, o que eu percebo, o que eu imagino.
O que eu sinto e o que nem sei que sinto.
Tudo isso nos meus riscos.

Criar é inventar, gerar, produzir e interpretar a si mesmo e o mundo ao seu redor. É nos relacionar com os objetos e com os outros da maneira mais diversa possível, onde sempre existe um potencial para o novo, para o diferente, para viver as experiências de forma única.

Mas quando começamos a criar? No início da vida, as percepções e os sentidos do bebê ainda estão em formação. Ele, sua mãe e o mundo formam uma coisa só. Quando chega a fome, o bebê sente em seu corpo um grande desconforto que ainda não tem esse nome: fome. A reação é chorar, com todo o ar presente em seus pequenos pulmões.
Nesse momento, o bebê precisa que a sua mãe ou seu cuidador também esteja muito atento aos seus choros e desconfortos para oferecer na hora do grito de fome, um peito ou uma mamadeira. Esse tempo entre o choro e o conforto é muito importante, pois é o que permite que o bebê viva suas primeiras experiências de “criatividade”. De fato, o bebê tem nesse início a ilusão de que os objetos e as coisas ao seu redor são criações suas, que magicamente aparecem para atender aos seus desejos.

Mas a cada experiência de satisfação, alguma coisa muda. A fome, o peito, o leite, a mãe estão sempre diferentes! Além disso, essa mãe que no início precisava estar muito presente, pode aos poucos dar mais atenção ao seu marido, filhos, trabalho, e seus próprios desejos.

As criações do bebê já se tornam mais elaboradas: antes do peito, pode existir uma chupeta, um dedo, um paninho. Um objeto de transição, um espaço que se instaura entre ele e a mãe. Isso faz com que a criança possa bem devagarinho ir percebendo seus contornos, sua ação sobre os objetos, redesenhando aquela ilusão primária de um mundo inteiramente criado por ele. Descobre o pezinho e movimentos que o levem até a sua boca, faz barulho com a sua voz, e vê o mundo inteiro sumir atrás de um pano… Cadê?! E magicamente reaparecer… Achou!

Esse bebê que foi alimentado com cores, texturas, cheiros, sons, que teve o tempo e o espaço necessário para experimentá-los, é agora uma criança que pensa e inventa, com a criatividade a todo o vapor. Suas mãos contam histórias mirabolantes onde cada dedo é um personagem, seu corpo inventa posições que viram cambalhotas e saltos desafiadores, sua mente cria hipóteses para o funcionamento do mundo. “Mas porque? Mas como?”.

As crianças vivem transformações intensas, e permitir que eles brinquem livremente é dar vazão a este ciclo de mudanças, é dar-lhes a oportunidade de serem autores e de se apropriar do seu corpo e suas idéias, e é fazer com que ganhem mais autonomia e confiança em si mesmos. A criança que brinca, fantasia e imagina, vê em cada situação a possibilidade de mudar e transformar o mundo. E toda brincadeira é movida pela criatividade.

Uma criança que viveu essa infância criativa será um adulto com mais recursos, não apenas para a criatividade artística, mas para enfrentar as diversas situações da vida. Nós adultos também somos capazes de resgatar e acessar esta criatividade da infância que nos levou à nossa visão de mundo e podemos pensar de um jeito novo, de novo.

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Não é a toa que dizemos que criamos nossos filhos. É preciso muita criatividade para educar, transmitir nossos valores, ensinar e observar, responder as perguntas mais inusitadas, aos mil “porquês” e “comos”, e tudo isso sem deixar de lado nossos compromissos, nossos sonhos pessoais e prazeres do dia a dia.

O Cadê Bebê possibilita essa criação a partir do brincar livre e da exploração para bebês, crianças e adultos. Cabe a nós pensarmos como as crianças de hoje criarão o mundo de amanhã.

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