07
dez

O que significa educar alguém?

Ou então, melhor, que tal inverter a pergunta: o que significa aprender algo? E como aprendemos?

Muitos pensadores e teóricos se debruçaram para tentar achar uma resposta definitiva para essas questões. Embora, tenhamos a convicção de que podemos aprender e ensinar sobre diversos aspectos do mundo à nossa volta, nunca houve consenso sobre o que determina que faz um sujeito aprender algo, ou como um processo de aprendizagem pode dar certo ou errado, e até mesmo sobre o que seria um “aprendizado que deu certo”.

Vamos então pensar no Cadê para ilustrar a nossa reflexão. Você considera o Cadê um ambiente educacional? Acredito que alguns responderiam que, certamente, as crianças podem aprender muito no Cadê, mas que isso não faria com que pudéssemos denominar-nos como um ambiente educacional. Será? A palavra educação, facilmente nos remete à cena da sala de aula, do professor ensinando a sua turma. E, muitas vezes, quando não há a figura do professor, ou não tem sala de aula, ou não tem conteúdo pré-determinado,  assumimos que então não há educação e não há aprendizado.

Essa visão sobre a educação não é de todo infundada, afinal essa é linha tradicional pedagógica sustentada por muito tempo quase no mundo todo. Diversos pensadores importantes do século XX, no entanto, contestaram essa tradição. Na verdade, nunca se problematizou tanto a questão da infância como no último século. O mundo sofreu várias mudanças sobre como enxergava seus filhos mais novos. Para o Phillip Ariès, autor de A História Social da Criança, na época medieval não havia o conceito de infância, a criança era algo como uma versão miniatura do adulto. A infância como a enxergamos hoje, foi construída ao longo da modernidade. Por incrível que pareça, é algo recente enxergamos essa fase como uma época cheia de potencialidades específicas a ser preservada e cuidada.

A infância ganhou contornos ainda mais específicos durante o século XX e podemos citar pelo menos dois  grandes autores responsáveis por isso. Um deles é Jean Piaget, pelo seu estudo dedicado à construção do conhecimento. Com a sua teoria sobre o desenvolvimento cognitivo, mesmo que contestada por alguns, este suíço se tornou leitura obrigatória para qualquer educador. A influência de Piaget é marcante pelo seu caráter estrutural, onde ele aponta que a criança somente aprende quando ela está pronta para assimilar o que lhe ensinam. O desenvolvimento das “estruturas operatórias” da criança, então, seria conquistado na interação do sujeito com o objeto. Ou seja, é na interação que se aprende. Pode soar óbvio, mas foi uma verdadeira revolução. Piaget era crítico da pedagogia “professor dita e o aluno copia”, e ele é um dos mais importantes teóricos a fundamentar que o brincar, como um profundo e natural ato  de interação da criança,  promove sim o ensino. A partir desse fundamento, muitos teóricos e instituições se apoiaram (e se apoiam) para promover o brincar como um pilar da educação e desenvolver o conceito. Sim, o Cadê é um deles.

O outro grande teórico sobre a infância, como não poderia deixar de ser, é Freud e sua teoria psicanalítica. Com sua investigação clínica colocando a sexualidade infantil como aspecto fundamental, ele mostrou o caminho para futuro pesquisadores de como as experiências dos primeiros anos de vida determinam o desenvolvimento psíquico de cada um. O que nos importa aqui é que Freud e seus sucessores (como D.W. Winnicott, Françoise Dolto e outros) demonstraram a importância de ouvir as crianças e acolher suas necessidades psíquicas – mas não só: que a criança também se desenvolve a partir da sua relação com seus cuidadores, e portanto estes devem ser escutados.

E o que isso tem a ver com educação? Citando esses duas grandes teorias que revolucionaram os nossos conhecimentos sobre a infância, nos perguntamos então: o que mudou na educação com a contribuição desses dois e muitos outros pensadores sobre a infância? Em grande parte, nada. Em muitos lugares, permanecemos tendo salas de aula como há 200 anos atrás. As escolas, em boa parte, permaneceram na Idade Medieval. Por que? Há muita resistência nas instituições de ensino para inovar e renovar a sala de aula, mas sejamos francos, pois nós mesmos (as famílias) somos resistentes em afirmar que a criança aprende muito mais brincando, do que sentada por horas. olhando para o quadro negro. Ou há quem afirme, mas na prática faz outra coisa: quer que o filho tenha toneladas de lição de casa, que o pequeno se concentre por horas numa mesma coisa (que muitas vezes nós desejamos , e não eles). A verdade que muitas vezes não nos sentimos seguros em “só brincar”, como se brincar não fosse essencial para o crescimento, mas apenas uma válvula de escape das outras obrigações. Ora, por que afinal assim, enxergamos as nossas próprias vidas de nossa maneira. Nós somos adultos que não se permitem brincar.

 

01
dez

 

parir é mais que dar à luz

Como o parto transforma a maternidade? O que muda para a mãe, de acordo com a sua vivência do processo do parto? E o bebê: o que acarreta para ele? A psicóloga Patricia Paione, do projeto Ninguém Cresce Sozinho, escreveu este texto profundo sobre a experiência do parto. Ela levanta questões fundamentais para pensarmos o parto não como um passo corriqueiro, e sim como uma experiência fundamental na constituição da identidade de uma família e de um bebê.

Boa leitura!

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Comentários desativados em Parir é mais do que dar à luz a um bebê
29
nov

Foto: Shutterstock

Do apartamento para o carro, do carro para a escola, da escola para a sala de aula; e, então assim que soa o toque de fim das aulas, a criança faz o caminho inverso até chegar em casa novamente. Essa é a rotina de boa parte dos jovens paulistanos. E dos adultos também – basta substituirmos escola pelo trabalho. Nesse dia a dia enclausurado em que vivemos o nosso contato com a natureza fica muitas vezes restrito e pobre.

Envolver-se com a natureza significa se envolver com a natureza que existe em nós. Nós somos parte da natureza, verdadeiras expressões da natureza, e simplesmente não olhamos para esse lado essencial de nossas vidas. Esse conhecimento de nós mesmos que somente podemos obter através do contato com a natureza deve começar fundamentalmente na infância. Não à toa, aqui no Cadê sempre temos oficinas e atividades com esse olhar, isso sem contar o nosso jardim, a nossa jabuticabeira e nosso minhocário.

Além disso, selecionamos alguns links muito interessantes para pais e educadores se aprofundarem no assunto! Dá uma olhadinha:

. Este E-book da Rita Mendonça, do Instituto EcoFuturo, aborda com profundidade todas as dimensões do contato da criança com a natureza, além de conter inúmeras dicas de atividades para promover essa experiência  com os pequenos!

http://bibliotecavirtual.ecofuturo.org.br/files?path=content/pdf/67e03d36fe3c4de92a06e3b8a0e536be2f84449e.pdf

. texto sobre contato da natureza e a superproteção às crianças:

http://www.paisefilhos.pt/index.php/actualidade/noticias/6590-brincar-na-natureza-e-insubstituivel

. O pesquisador e artista plástico Gandhy Piorski tem um longo estudo sobre as brincadeiras e brinquedos que são criadas no contato com a natureza. Seu trabalho é poético, filosófico, transbordando inspirações. Para quem quiser conhecer mais:

http://territoriodobrincar.com.br/territorio-do-brincar-na-midia/brinquedos-da-natureza-entenda-o-brincar-a-partir-dos-quatro-elementos-naturais/

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29
nov

Resultado de imagem para rock e crianças

Bob Dylan, Luis Gonzaga, Bob Marley, Miles Davis, Caetano Veloso, The Beatles e Clara Nunes. O que todos esses artistas tem em comum? Todos eles (entre outros) estão constantemente tocando na nossa playlist do brincar livre.

E aí alguém pode perguntar: “e isso é música para criança??”

E a nossa resposta é: “por que não? O que viria a ser, afinal, música infantil?”

Acreditamos que a música não tem faixa etária, ela é universal. E que crianças e adultos podem curtir as mesmas músicas, pois os pequenos tem, sim, condições para apreciar todo tipo de música. Inclusive, introduzir canções e artistas de diferentes ritmos e culturas, é muito mais rico do que se restringir ao limitado repertório da dita “música infantil”. Outro fator, é que a criança pode se envolver muito mais  ao observar que o adulto está totalmente absorvido no que estão escutando.

A única restrição, claro, que fazemos é quanto à escolha de músicas com letras ofensivas e inadequadas. De resto, é uma delícia descobrir o mundo da música junto com eles!

Então, bora apresentar pro seu filho aqueles álbuns que você adora ouvir depois que ele foi dormir??

Pensando nisso, a nossa queridíssima brincadê Fernanda elaborou uma super playlist para apresentar clássicos favoritos do rock para as crianças.

 Ouçam, dancem, chacoalhem, façam uma air guitar  e depois nos contem como foi! Som na caixa!

. The Beatles “Can´t Buy Me Love” (mas pode ser, basicamente, qualquer uma deles)

. The Kinks “You Really Gotta Me”

. Rolling Stones “You Can´t Always Get What You Want”

. Led Zeppellin “Good Times Bad Times”

. The Doors “Touch Me”

. The Clash “Should I Stay or Should I Go”

. David Bowie “Changes”

. Black Sabbath “Iron Man”

. Raul Seixas “Super-Heróis” (essa uma recomendação da Nina de 7 anos)

E, você, gostou da playlist da Fernanda? Tem a sua playlist tamém?

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